· Mayara Moreira de Deus · 6 min read

Criança que Respira pela Boca : o que fazer? — Dra. Mayara Moreira de Deus (Otorrinolaringologista Pediátrica)

Criança que Respira pela Boca : o que fazer?  — Dra. Mayara Moreira de Deus (Otorrinolaringologista Pediátrica)

Criança que respira pela boca: por que isso não é “só um jeito dela”

Boca entreaberta durante o sono. Travesseiro molhado toda manhã. Olheiras que não somem, mesmo com a criança dormindo dez horas. Lábio ressecado, sede constante à noite, mau humor ao acordar.

Muita gente trata isso como característica da criança — “ela sempre foi assim”. Não é. Respirar pela boca é um sinal, não um jeito de ser. E, mantido por anos, deixa marcas que vão muito além do nariz entupido: afeta o sono, o crescimento do rosto, a posição dos dentes, a postura e até o desempenho escolar.

Em Goiânia, a Dra. Mayara Moreira de Deus, otorrinolaringologista com atuação em otorrinolaringologia pediátrica, investiga o que está bloqueando a respiração nasal da criança e define o tratamento — clínico ou cirúrgico — a partir de um diagnóstico objetivo, não de suposições.

O nariz não serve só para respirar

Antes de chegar ao pulmão, o ar que passa pelo nariz é filtrado, aquecido e umidificado. A respiração nasal também regula a pressão dentro das vias aéreas e estimula o crescimento correto do rosto e da arcada dentária.

Quando a criança respira pela boca, ela perde tudo isso de uma vez: o ar chega frio, seco e cheio de partículas direto à garganta — o que explica a sequência de dores de garganta, tosse e infecções de repetição que tantas famílias conhecem bem.

Os sinais do respirador bucal

Durante o sono:

boca aberta e babar no travesseiro; ronco, respiração ruidosa, pausas ou engasgos; sono agitado, virando de posição a noite toda; suor excessivo enquanto dorme; acordar várias vezes, pedindo água; xixi na cama fora da idade esperada.

Durante o dia:

cansaço, sonolência e irritabilidade; olheiras profundas e olhar abatido; lábios ressecados e rachados; mastigação lenta, come devagar, engasga com facilidade; voz anasalada; dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar; falta de apetite.

No rosto e nos dentes, com o tempo:

face mais alongada e estreita (“fácies adenoideana”); lábio superior curto, boca entreaberta em repouso; céu da boca alto e estreito; dentes apinhados, mordida cruzada ou aberta; queixo retraído; postura de cabeça projetada para a frente e ombros curvados.

Quanto mais cedo o quadro é tratado, menores as repercussões — especialmente nas fases de maior crescimento facial.

O que costuma estar por trás:

Adenoide aumentada — a causa mais frequente em crianças. Localizada atrás do nariz, quando cresce demais, simplesmente fecha a passagem do ar.

Amígdalas aumentadas — estreitam a garganta e pioram o quadro, principalmente durante o sono.

Rinite alérgica — inflamação crônica da mucosa nasal, com inchaço dos cornetos. Em Goiânia, ácaros, poeira e o ar muito seco do período de estiagem agravam bastante o quadro.

Desvio de septo e aumento dos cornetos — mais comuns em crianças maiores e adolescentes.

Sinusites de repetição e pólipos nasais — causas menos frequentes, mas que precisam ser descartadas.

Hábito remanescente — às vezes a obstrução foi tratada, mas a criança continua respirando pela boca por hábito já instalado. Nesses casos, entra o trabalho fonoaudiológico de reeducação respiratória.

Na prática, é comum encontrar mais de uma causa associada — por isso a avaliação precisa olhar o conjunto.

Como é feita a investigação?

História clínica detalhada — como a criança dorme, respira, come e adoece ao longo do ano; relatos da escola; queixas do dentista ou ortodontista. Exame otorrinolaringológico completo, com avaliação de nariz, boca, garganta e ouvidos. Nasofibrolaringoscopia flexível, quando indicada — o exame que mostra, em imagem e em tempo real, o grau exato de obstrução pela adenoide. É o que permite decidir com segurança entre tratar clinicamente e operar. Avaliação auditiva — audiometria e imitanciometria, já que a obstrução costuma vir acompanhada de líquido no ouvido. Investigação do sono, com polissonografia em casos selecionados. Abordagem em equipe, quando necessário: pediatra, odontopediatra ou ortodontista, fonoaudiólogo e alergista. Tratamento: nem sempre é cirurgia

Esta é a parte que mais tranquiliza as famílias: boa parte dos casos melhora sem cirurgia.

Tratamento clínico — controle da rinite alérgica, lavagem nasal com soro fisiológico na técnica correta, medicação nasal quando indicada, cuidados com o ambiente (poeira, mofo, pelo de animal, fumaça de cigarro) e atenção à umidade do ar nos meses secos.

Fonoaudiologia — reeducação da respiração, da mastigação e da deglutição, essencial quando o hábito já está instalado.

Acompanhamento odontológico — quando o crescimento da face e a posição dos dentes já foram afetados.

Cirurgia — indicada quando a obstrução é estrutural e importante, com impacto no sono e no desenvolvimento. Normalmente adenoidectomia, associada ou não à retirada das amígdalas. É um procedimento rápido, sem cortes externos, e a melhora na respiração costuma ser percebida já nos primeiros dias.

A decisão é individual e sempre discutida com a família, com os motivos explicados com clareza.

O que muda depois do tratamento?

Os pais costumam relatar, em poucas semanas:

sono silencioso e contínuo, sem ronco e sem despertares; criança que acorda disposta, com humor diferente; olheiras que diminuem visivelmente; apetite melhor e refeições mais rápidas; menos resfriados, otites e dores de garganta; mais atenção na escola, com reflexo nas notas; crescimento facial em direção ao padrão esperado, quando tratado na idade certa.

Não é exagero: muita família descreve a sensação de ter “outra criança” em casa.

Perguntas frequentes

Respirar pela boca de vez em quando é problema? Durante um resfriado, é normal e passageiro. O que preocupa é o padrão que se mantém por semanas ou meses, inclusive fora dos períodos de infecção.

A partir de que idade dá para avaliar? Qualquer idade. Quanto mais cedo, maior a chance de evitar repercussões no crescimento da face e no desenvolvimento.

A adenoide não diminui sozinha com o tempo? Tende a regredir na puberdade. O problema é o que acontece até lá: anos de sono ruim e crescimento facial alterado não se recuperam depois.

Meu filho usa aparelho ortodôntico. Preciso de otorrino também? Sim, e idealmente antes ou junto. Tratar os dentes sem liberar a respiração nasal aumenta muito o risco de recidiva do problema ortodôntico.

Tem a ver com rinite? Com frequência, sim. Rinite mal controlada mantém o nariz inchado e obstruído mesmo sem adenoide aumentada.

Criança que ronca pode ter apneia? Pode. Ronco alto e frequente, pausas na respiração e sono agitado exigem avaliação — apneia em criança não é raro e tem tratamento.

Agende uma avaliação em Goiânia

Se seu filho dorme de boca aberta, ronca, acorda cansado ou vive com o nariz entupido, existe uma causa — e ela pode ser identificada e tratada.

Dra. Mayara Moreira de Deus — otorrinolaringologista pediátrica em Goiânia. Investigação completa da respiração nasal, com exames no próprio consultório, conduta explicada com clareza e tratamento no tempo certo do crescimento da criança.

Agende a consulta e devolva ao seu filho a respiração pelo nariz.

Conteúdo de caráter informativo. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação médica individual.

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