· Mayara Moreira de Deus · 3 min read
Como é a cirurgia de adenoide e amígdalas?

Depois que a indicação é fechada, vem a próxima rodada de perguntas. “Doutora, e o dia da cirurgia, como é?“. “Vai para a UTI?“. “Quanto tempo dura?“. É natural que essas dúvidas apareçam, e eu prefiro responder uma a uma, com calma, antes da família sair do consultório.
Onde a cirurgia acontece
Sempre em ambiente hospitalar. Nunca em consultório, nunca em clínica pequena. A criança precisa de uma equipe completa por perto — anestesista pediátrico, equipe de enfermagem treinada, retaguarda de UTI caso seja necessário. Isso não é exagero, é o padrão de segurança para qualquer cirurgia com anestesia geral em criança.
A internação costuma ser pela manhã. Vocês são recebidos no hospital, a criança veste a camisolinha, e a equipe de anestesia conversa com vocês antes. Pode levar o bichinho de pelúcia ou o paninho, se ajudar.
A anestesia
A anestesia é geral, sempre. Não tem como fazer essa cirurgia com a criança acordada, nem com sedação leve. A equipe precisa de via aérea protegida e da criança totalmente relaxada para operar com segurança.
Na maioria dos hospitais onde opero, um dos pais entra com a criança na sala até ela adormecer. Isso ajuda muito. Em poucos minutos ela está dormindo profundamente, sem sentir, sem ouvir, sem lembrar.
A cirurgia em si
Tudo é feito pela boca. Não tem corte na pele, não tem cicatriz visível, não tem ponto aparente. Eu abro a boca com um afastador apropriado, retiro as amígdalas dos dois lados e, em seguida, removo a adenoide, que fica logo atrás do nariz.
O tempo médio dentro da sala cirúrgica é de 30 a 40 minutos. Pode parecer pouco, mas é o suficiente quando a equipe é experiente e o planejamento foi bem feito.
E a UTI?
Essa é uma das perguntas que mais aparece, e quero ser direta: a maioria das crianças não vai para a UTI. A recuperação acontece em uma sala específica, com monitorização, até a criança acordar bem e estar estável. Depois disso, ela sobe para um quarto comum até a hora da alta.
A solicitação de UTI fica reservada para casos específicos — crianças muito pequenas, com apneia grave, comorbidades importantes ou algum aspecto do quadro que exija observação mais próxima. Quando esse é o caso, eu converso com vocês antes, no consultório, para que ninguém seja surpreendido no dia.
A alta
A alta costuma ser programada para o final do dia. A gente aguarda a criança já estar bem desperta, comendo algo gelado, sem sangramento e com a dor sob controle com a medicação. Ou seja: dá para entrar pela manhã e sair com a criança no fim da tarde, na grande maioria dos casos.
Em casa, começa a fase mais cansativa, que é o pós-operatório dos primeiros dias. Mas isso é assunto para o próximo post.
Qualquer dúvida, me chama.



