· Mayara Moreira de Deus · 3 min read
Quando é hora de operar adenoide e amígdalas?

Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório. Pais que chegam preocupados com o sono do filho, com as gripes que não passam, com a respiração de boca aberta noite após noite. E na cabeça deles, vem a dúvida: “será que precisa operar?“.
A resposta nunca é automática. Cada criança é uma história. Mas existem situações em que a cirurgia muda a rotina da família por completo — e é dessas situações que eu quero falar aqui.
Quando o problema é o sono
Esse é, de longe, o motivo mais frequente. A criança ronca alto, dorme de boca aberta, vira na cama a noite inteira, às vezes pára de respirar por alguns segundos. Acorda cansada, irritada, com olheiras profundas. Algumas voltam a fazer xixi na cama depois de já terem largado a fralda.
Isso não é “criança boba” nem “fase”. É apneia obstrutiva do sono na maioria dos casos, e a causa quase sempre são adenoide e amígdalas grandes obstruindo a passagem do ar.
Quando o sono está ruim, o crescimento sofre. O aprendizado sofre. O humor sofre. Por isso, quando identifico apneia em uma criança e os tecidos estão grandes, costumo indicar a cirurgia sem grandes rodeios.
Quando a respiração é só pela boca
A criança que respira pela boca o dia inteiro vai mudando o rosto com o tempo. O queixo fica mais para trás, o palato vai ficando alto e estreito, os dentes não encaixam direito. O ortodontista costuma ser o primeiro a notar e me encaminha. Quando a obstrução pela adenoide é a causa, a cirurgia entra antes que essas mudanças se firmem.
Quando as infecções não dão trégua
Aquela criança que vive com dor de garganta, faz antibiótico atrás de antibiótico, falta da escola toda semana. Existe um critério bem estabelecido para esses casos: 7 amigdalites em 1 ano, 5 por ano em 2 anos seguidos, ou 3 por ano em 3 anos seguidos. Quando bate essa frequência, a cirurgia costuma valer mais a pena do que ficar repetindo antibióticos.
Quando o ouvido entra na conta
Otites de repetição, líquido atrás do tímpano que não vai embora, perda auditiva leve que atrapalha a fala. Tudo isso pode estar ligado à adenoide. Nesses casos, retirar a adenoide muitas vezes resolve, junto com a colocação do tubo de ventilação quando é preciso.
Quando eu não opero
Vale dizer também o outro lado. Amígdala grande sem sintoma de obstrução não é indicação. Resfriado de inverno toda criança tem, e isso por si só não justifica cirurgia. Adenoide aumentada que não causa obstrução, nem otite também pode ser acompanhada com calma.
Eu prefiro esperar quando dá para esperar. Mas quando o quadro está claro, esperar demais cobra um preço — no sono, no crescimento, na escola.
Como eu decido
Olho a criança como um todo. Examino, peço exames de imagem quando preciso (nasofibroscopia,, avalio o sono — às vezes com polissonografia. Converso com vocês sobre o que está pesando mais no dia a dia.
A decisão é sempre nossa, junto. Eu trago o que sei. Vocês trazem o que estão vivendo em casa. E, no final, optamos pela melhor opção para melhorar a qualidade de vida e o sono da criança.



